“Um” intento é o ato de alinhar imediatamente ou progressivamente o nosso sentir e a nossa vontade com uma nova sintonia, uma nova maneira de experienciar o mundo e a nós mesmos… em outras palavras, com uma nova posição do ponto de encaixe.
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Cada um desses alinhamento é uma dentre as INÚMERAS expressões possíveis daquilo que os videntes chamam de Intento, ou Intento do Infinito.
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“O” Intento é a força presente em todos os aquieagoras…
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A força da qual toda experiência é feita…
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E dentro da qual toda experiência ocorre.
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Cada experiência individual é uma modulação diferente dessa mesma força.
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Como o Castaneda entendeu no livro o Poder do Silêncio, o ponto de encaixe também poderia ser chamado de “ponto do Intento”.
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Essas palavras podem não fazer sentido pra muitos de nós ainda, mas elas buscam apontar que a experiência direta do Intento e sua consequente compreensão estão ao nosso alcance, aquieagora, se cumprirmos alguns requisitos.
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O nagual Juan Matus revela, nesse mesmo livro, que os requisitos para o Intento são três: a Frieza, o Abandono, e a Audácia.
Através desses 3 requisitos podemos nos tornar plenamente conscientes do Intento (Consciência Total) e aprender a manejá-lo (em outras palavras, a mover o ponto de encaixe).
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O primeiro dos requisitos, a Frieza é a não-piedade com a nossa experiência como um todo.
A frieza é algo geralmente repreendido socialmente. Mas não se trata aqui de ser indiferente ou rude com as pessoas e condescendente consigo.
Se trata de uma Frieza geral, com as (auto)piedades e (auto)importâncias, que faz a nossa descrição atual de mundo parar.
É uma implacabilidade com a nossa própria pessoa, que se estende de forma equânime sobre toda a experiência. Dentro dessa Frieza nada mais é importante, e assim limpamos momentaneamente a ilha do tonal.
Soltamos as amarras da nossa descrição de mundo,
içamos a âncora da posição do ponto de encaixe.
A partir dessa neutralidade silenciosa, a primeira intenção que surge se torna um novo comando.
Qualquer intenção, nesse vazio, pode começar a fomentar o vislumbre de um novo alinhamento, de uma nova experiência.
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E então entra o segundo requisito: a Audácia.
A Audácia é o ato de ousar se colocar agora mesmo na posição que estamos intentando.
Se podemos imaginar, ou pelo menos formular, podemos sentir. E ao sentir, estamos no mesmo instante começando a alinhar essa nova posição.
A Audácia é romper os limites da linearidade, dar o salto mortal do pensamento.
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Isso vale pra qualquer intento, dos mais mundanos, corriqueiros e concretos,
aos mais abstratos, desconhecidos e aparentemente impossíveis pra razão,
porque o que quer que intentemos já existe dentro do Infinito
(o que quer que intentemos JÁ existe dentro do Infinito)
e pra que isso se torne nossa experiência,
não é uma questão de “criar” algo com a nossa percepção,
mas de sintonizar a posição onde aquilo JÁ está ocorrendo agora.
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Esse é o Poder ao nosso alcance enquanto seres luminosos, enquanto percepções dentro do Intento Ilimitado.
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E então, temos o terceiro requisito: o Abandono. Esse é o ato de soltar qualquer controle ativo sobre a experiência.
A Frieza é cortar os vínculos com a ilha do tonal, a Audácia o alinhamento de uma nova possibilidade, e o Abandono é a capacidade de sustentar esse novo alinhamento.
Abandono significa “se dar ao poder”.
É permitir que o nagual assuma e guie o rumo dos acontecimentos através do qual a experiência irá transicionar da realidade atual para a nova realidade sendo intentada.
Quando o tonal tem uma ideia fixa e acredita saber como as coisas deveriam ocorrer,
ao primeiro sinal de um desencontro entre o rumo dos acontecimentos e as próprias expectativas,
pode-se experienciar a frustração de acreditar que as coisas não estão saindo como esperado.
E assim, acabar mudando o intento e a posição de ponto de encaixe novamente para a posição anterior.
O abandono é o estado de confiança no fluxo dos acontecimentos, a soltura do controle que estabiliza o ponto de encaixe na nova posição e acelera a mudança na realidade sendo experienciada.
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Pra manejar devidamente o Intento é preciso ter derrotado os 2 primeiros inimigos da caminhada: o Medo e a Clareza Mental.
Caso contrário, o Medo irá influenciar ou trancar nossa imaginação, e a Clareza Mental nos impedirá de conceber possibilidades não-lineares devido à convicção na nossa própria linearidade.
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Lembrando que o manejo do Poder ainda não é a Liberdade Total.
E lidar com o Poder sem sabedoria e sobriedade pode ser até pior do que nunca tê-lo conquistado.
Mas lidar com ele com sobriedade é uma porta para adquirirmos liberdade de percepção,
nos tornarmos compositores da nossa jornada,
e quem sabe… compreender que a completude não está em manejar o Intento…
…. mas na possibilidade velada, que todo ser tem, de nos darmos conta de ser UM com ele.
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Não importa se não sabemos na prática o que é “Ser um com o Intento”, nem como nos tornarmos conscientes dele.
Se pudermos reunir a Frieza necessária para parar a nossa descrição de mundo,
a Audácia de acreditar que é possível despertar para o Intento agora,
com o Abandono para deixar que a compreensão surja de uma forma inesperada, isso já é suficiente.
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Não é arrogância estar consciente de ser um com o Intento, ou de não ser nenhum com o Nagual.
A arrogância, na prática, vem de acreditarmos que somos entidades separadas dele.
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Nagualuno